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ARTIGO: Depressão nos idosos: uma vilã desconhecida e não tratada

 

O Brasil era um "país jovem". Até pouco tempo boa parte de sua população tinha menos de 30 anos de idade. No entanto, uma rápida mudança vem ocorrendo nos últimos anos, tanto no Brasil, como no mundo em geral. O numero de idosos (pessoas acima de 65 anos de idade) vem crescendo rapidamente na população. No Brasil havia cerca de 10 milhões em 1990, número que chegou a 15 milhões no ano 2000 e deve alcançar 34 milhões em 2025.

 

O crescimento na população idosa vem acompanhado do aumento no número de casos de depressão. Vale destacar que a depressão no idoso é uma doença muito frequente, associada a um elevado grau de sofrimento psíquico. Na população geral, a depressão tem prevalência em torno de 15%. Em idosos vivendo na comunidade essa prevalência situa-se entre 2% e 14% e em idosos que residem em instituições a prevalência da depressão chega a 30%.

 

As causas de depressão no idoso configuram-se dentro de um conjunto amplo de componentes onde atuam fatores genéticos, o sentimento de frustração perante os anseios de vida não realizados e a própria história do paciente marcada por perdas progressivas – do companheiro, dos laços afetivos e da capacidade de trabalho – bem como o abandono, o isolamento social, a incapacidade de reengajamento na atividade produtiva, a ausência de retorno social do investimento escolar, a aposentadoria que mina os recursos mínimos de sobrevivência. Estes são fatores que comprometem a qualidade de vida e predispõem o idoso ao desenvolvimento de depressão .

 

Depressão não é apenas uma tristeza passageira, diante de um fato adverso da vida. A pessoa apresenta uma tristeza profunda e duradoura, acompanhada de desânimo, apatia, desinteresse e impossibilidade de desfrutar dos prazeres da vida. Não se interessa pelas atividades diárias, não dorme bem, não tem apetite, muitas vezes tem queixas vagas como fadiga, dores nas costas ou na cabeça. Aparecem pensamentos "ruins", como ideias de culpa, inutilidade, desesperança; nos casos mais graves podem ocorrer ideias de suicídio.

 

O reconhecimento da depressão no idoso muitas vezes é difícil. Preconceitos em relação à velhice e às doenças mentais dificultam o acesso dos pacientes a um tratamento adequado. Existe a ideia bastante arraigada de que a depressão é um fato "normal" na velhice. Não é! O idoso não precisa ser necessariamente triste.

 

A depressão é uma doença como outra qualquer, cujo tratamento tem alcançado avanços significativos nos últimos anos. Medicamentos antidepressivos, que atuam nos neurotransmissores, permitem uma recuperação do equilíbrio químico do cérebro, com a melhora dos sintomas da depressão. Essa recuperação demora algumas semanas, durante as quais o apoio dos familiares é também fundamental. O acompanhamento psicoterápico permite uma complementação do tratamento medicamentoso, propiciando a recuperação da qualidade de vida do idoso.

 

Quando encontrar um idoso desanimado e triste por algumas semanas é preciso levá-lo a um Geriatra para uma avaliação especializada, pois pode tratar-se de depressão. Com o tratamento precoce, ocorre uma grande melhora da saúde global e a qualidade de vida do idoso é novamente restaurada.

Dr. Rodrigo Junqueira é Médico Geriatra e atende no Hospital São Francisco, em Ceilândia-DF.

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